Orgulhosa, Dispensável, Sonhadora, Diferente, Louca, Humana.


when we're dreaming alone it's only a dream, when we're dreaming with others it's the begining of reality...

20.1.10

ciclo da vida

«my hand searches for your hand (...) help me! are you looking for me?»
Como sempre. Tu aí, eu aqui. Tu foges, eu escondo-me. Tu corres, eu ando. Tu flutuas, eu nado. Tu, eu; eu e tu. Dois seres completando a unificação da diversidade mundial.
Branco & Preto. Surgiste como um metorito caído na Terra. Encontrei-te, guardei-te, possuí-te. Mas agora tens de voltar, voltar de onde vieste. E isso custa-me tanto. É como caminhar 500 000 quilómetros sem parar. Contudo não podes ficar e tens de voltar para a tua familia, onde pertences. Compreendo. O tempo remoto em que caminhávamos de mãos dadas, seladas pelo tempo e companheirismo já se acabou.
Não esperes mais, nem por mim. Eu adoro-te, mas não vou estar lá. Era como assistir ao meu próprio funeral. As despedidas são o meu calcanhar de Aquiles e não posso caír sobre os meus joelhos num momento tão delicado. Não enquanto cá estiveres. Depois irei cair sobre os meus próprios joelhos, no chão molhado pela chuva de Janeiro, o meu peito irá abrir-se num grande e profundo buraco, chorarei, gritarei pelo teu nome, suplicarei aos céus para que voltes, bradarei um "não" de dor e desespero; mas por agora, vou dar um sorriso e irei dizer com a minha voz fina e ténue: Telefona-me quando chegares.
Um telefonema não será o suficiente. Não o suficiente para selar o buraco que se abriu e curar as feridas dos meus joelhos ensanguentados. (...) Mas tens de ser forte. Por ti, por ele. - ouço da boca da minha amiga. Aquela que nao ocupa o teu lugar, nem preenche um quarto dele. Aceno com a cabeça e nada digo.
É dificil. Sempre foi.
Desta vez é diferente. (...) Desta vez é para sempre.
Como sempre. Tu vais, eu fico. Tu beijas-me, eu viro-me. Tu pedes desculpa, eu aceito.
Caminhas em direcção ao Terminal 23. Eu espreito-te. Já não te vejo.
Tu partiste, eu amo-te...
P.S - ... para sempre.

19.1.10

Conversa Adolescente

#1:
- ai a minha vida...
#2:
- e a minha? cada vez mais complicada e com beco sem saída.
#1 diz:
- não digas isso!
#2:
- queres que diga o quê então? cada dia que passa a luz ao fundo do tunel está a ofuscar-se cada vez mais e cada vez menos encontro uma segunda saída. Só vejo problemas atrás de problemas.. quando é que isto vai acabar?
#1:
- quando menos esperares..
#2:
- a vida é realmente surpreendente nao é?
#1:
- se é..


(afinal, nós também temos os nossos problemas)
Escuro. Silêncio. Shhh. Não fales, não. Não gastes essas palavras. Guarda-as só para ti, para outra altura, para outra pessoa.
Hei, não chores. Estou aqui, apesar de tudo. Estou aqui. Sim, tudo vai ficar bem. Desculpa se te feri de alguma forma impensável ou irracional. Mas não te amo mais. E deixar-te-ei aqui. Sozinho. Amo-te demais para continuarmos neste drama em que só existe um personagem; tu. Agora vai!
Tudo bem, não vás.
Fica comigo. Detesto o meu coração, detesto a minha sanidade, a minha felicidade e liberdade. Detesto. Abdico de tudo isto para ficar contigo. Tu superas tudo.
Hã? Adeus? Depois de tudo isto? Depois de tudo o que passámos, das nossas discussões, das tuas palavras estéreis? NÃO. Agora seremos só eu e tu. Como um casal que dorme sob o seu orgulho e que o consome demasiado para poder destruir esta relação doentia. Sim... doentia. Perdoa-me! Aliás, não me perdoes. O perdão só me deixa ainda mais num ponto fatídico e lamechas em que não consigo suportar no quotidiano. Isso. Limita-te a virares-me as costas! Reduz-te ao meu 'insignificante ser'. Não é isso que eu sou para ti? Não é isso que me bradas todas as noites ao telefone naquelas discussões que duram horas e falecem num segundo, à distância de um pequeno clique da tecla vermelha?
É isso! Como é que eu não percebi antes? A nossa relação é como uma chamada telefónica: vive durante uns minutos, umas horas, mas depois morre. Vive, morre, vive, morre. É um infinito dilema. Queres viver ou morrer? Queres sucumbir ao meu ser?
Hum. Tudo bem. Farei o que é o melhor para ti. Ou o pior.
Se o melhor para ti é deixares-me, então força! Diz que vais abandonar-me e eu correrei atrás de ti, perseguindo-te como uma sombra que se cola aos nossos pés. Procuro-te. Ajuda-me. Está tudo tão escuro. Tão escuro como no princípio. A minha mão faz um leve movimento pelos lençóis arrefecidos do teu lado da cama, pela tua almofada e não consegue encontrar-te! Porquê agora? Desapareces quando mais preciso de ti. Voas com um simples sopro. Não és forte o suficiente para permanecer ao meu lado. Falta-te algo...



(continua...)